Pensando em Moda http://pensandoemmoda.posterous.com Referências para sua pesquisa. Alimento para sua curiosidade. Gatilhos para sua inspiração. posterous.com Fri, 23 Dec 2011 07:27:04 -0800 dezembro http://pensandoemmoda.posterous.com/dezembro http://pensandoemmoda.posterous.com/dezembro o Leminski tem um livro chamado "Vida",
cujas páginas contam quatro biografias:
de Bashô, Cruz e Souza, Trotsky e Jesus.
textos pra aprender, pra admirar e pra subverter.
pra abrir versões.
pra poetizar entendimento.

enfim...
faz mais de dez anos que essa obra caiu em minhas sortudas mãos.
de memória, me pego citando informações do livro,
em especial um fragmento apócrifo sobre Jesus:
"mãe, tem pão?" - a frase humana-demasiado-humana ecoa,
sempre me ganhando sorriso e suspiro.
simples e bonito.

aí que, no oportuno do Natal, resolvi ir atrás do texto querido.
re-encontrei o dito, graças à democracia internética.

copio e compartilho trechinho [logo abaixo!!],
no meu jeito de desejar sentimentos abraçantes
para todos os tu's que espero rever em 2012
e para os quais imagino noite-feliz cheia de presentes,
bem como futuros e passados envoltos em alegrias de estrelas.

ósculos com lápis-de-cor,
Lu Glaeser

Fragmento de um Apócrifo
O Evangelho da Infância conhecido como
Evangelho Segundo Domingos
 
Jesus era menino, passou um cego na estrada.
Jesus foi guiando o cego o dia inteiro, voltou só à noite.
Maria já andava doida:
Onde você andou, menino de Deus?!
Por aí. Tem pão, mãe?
José nem falou nada: só deu o pão.

Dias depois Jesus subiu no telhado.
Maria mandou descer.
José nem ligou:
Se cair, do chão não passa.

Os outros meninos chamavam Jesus de louco: será que tinham razão?
Maria pensava tanto que a massa do pão até azedou.
José só coçou a barba:
O avô que eu mais gostava também era meio louco...

Na feira, Jesus sumia.
Maria procurava cadê, cadê?
Jesus conversava numa roda de homens, ela nem acreditava.
José erguia os ombros:
Por que não?

Depois, Jesus ficava horas olhando as estrelas.
Maria se preocupava:
Que é que você tanto pensa, meu filho?
José sentava do lado dele, ficava cortando um cavaco.
Na hora de dormir, o menino ainda estava lá olhando as estrelas.
Maria chamava:
Vem dormir, filho.
E José dormia resmun­gando:
Quando der sono, ele dorme.

E, um dia, no rio, José viu os primeiros pêlos no corpo de Jesus.
Contou a Maria:
Está virando homem.
Maria suspirou:
Graças a Deus, quem sabe agora endireita.

Mas Jesus agora só queria discutir com doutores.
Maria amassava o pão com o coração miúdo:
Ainda vão prender esse menino.
Já é um moço José sempre corrigia.

Até que um dia Jesus avisou: ia viajar.
Maria ficou piscando de espanto, José se coçou muito antes de falar:
Cuidado com a saúde e veja bem com quem anda.

Jesus voltou anos depois.
Maria ajoelhou quando viu aquele homem entrando em casa.
Graças a Deus foi só o que ela falou.
Oi, mãe disse Jesus abraçando e, depois, olhou em volta Tem pão?

José serrava umas tábuas, parou para abraçar Jesus, conti­nuou a serrar.
Voltou para ser carpinteiro, filho?
Jesus sentou cansado.
Não sei o que fazer da vida, pai.
Viaja mais José falou se coçando um dia você acha o que fazer.
— É — suspirou — acho que vou andar mais um pouco por aí.

LEMINSKI, Paulo.
Vida - biografias de Cruz e Souza, Bashô, Jesus e Trótski.
Porto Alegre: Sulina, 1990.

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Sun, 20 Nov 2011 17:58:00 -0800 rafaela mattos | metamorphose optical http://pensandoemmoda.posterous.com/rafaela-mattos-metamorphose-optical http://pensandoemmoda.posterous.com/rafaela-mattos-metamorphose-optical

rondei a coleção Metamorphose Optical, de Rafaela Mattos,
catando fio de meada.
senti um emudecimento.
como que faltava chão,
enquanto sobravam incógnitas informes, aguardando carne e osso.
o que diz ali?

acho que essa gagueira aconteceu porque me prendi à questão que primeiro surgiu:
como casulo se tranforma em jim morrison
ou vice-versa?
será que está claro e eu que não estou vendo?
me falta um pedaço...

é possível que o empacamento não tenha nem mesmo razão de ser,
pois não necessariamente há esse nexo-dado que procuro.
vício meu, que assim fico cega pra outros pontos de vista.
encasqueto que a aproximção tem lógica
e a curiosidade me faz matutar: qual?

====
"Quando dois objetos distintos são dessemelhantes, não contrariam nossa expectativa:
eles mostram-se tais como são comumente e, portanto, não causam nenhuma impressão à imaginação;
mas, quando dois objetos diferentes apresentam alguma semelhança,
ficamos maravilhados, atentos e sentimos prazer.

O espírito humano experimenta uma alegria e uma satisfação inatas
muito maiores em encontrar semelhanças do que em procurar diferenças,
porque, compondo-as, produzimos novas imagens, unimos, criamos, ampliamos nossa reserva de idéias..."

BURKE, Edmund.
Uma investigação filosófica sobre as origens de nossas idéias do sublime e do belo.
Campinas: Papirus, 1993, p.27

====
mas isso não é problema da Rafaela
e ficar andando em círculos não me resolve.

então, que outra-coisa poderia apegar?
o que ficou, como memória do desfile?

me ocorre um aspecto da sensação.
tudo bem, é um elemento exterior à roupa,
mas impactou sobre a criação,
quase que ditando uma forma de ver.

me refiro à música
[the doors - riders on the storm ]
que, ao iniciar, fisga a percepção emotiva.

diria que foi uma espécie de "covardia" escolher trilha assim.
impossível resistir à sedução das notas,
que foram se misturando ao caminhar das figuras,
tomando parte do movimento dos volumes, das estampas,
das curvas convocadas pelas roupas.

tudo de caso pensado, Rafaela?
- fica no suspenso a pergunta -

se com propósito calculado
ou se fruto de uma distraída escolha feliz,
fato é que "riders on the storm" funcionou bem demais.

impregnando a atmosfera com a música,
Rafaela agiu estrategicamente
e envolveu a platéia.

compor o espetáculo, costurando suas partes, é uma façanha.
 
====

"Os desfiles de moda geralmente podem ser vistos como arte performática.
O desfile na passarela é um evento que espetaculariza o ir e vir cotidiano nas ruas da cidade,
mediante recursos teatrais como o palco e a fantasia.
(...) O que acontece durante o desfile é algo que fundamentalmente apela para os sentidos,
num jogo de realidade e fantasia que dilui os limites entre uma e outra
- e essa é a intenção.
É por isso que a passarela deve conter, sempre, o fator 'sensacional',
não se restringindo à apresentação objetiva,
voltada para os espectadores com intuito único de vender as peças da coleção ali apresentada,
ainda que isso seja de suma importância."

AVELAR, Suzana.
Moda: globalização e novas tecnologias.
São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2009, p.118.

====
outro momento que gerou sobressalto
foi aparição de Rafaela, no final do desfile.
vestia criação sua - um vestido longo, muito suave,
que trouxe um desfecho leve para a coleção.
inesperado, esse "sétimo look" pegou o olhar de surpresa
e certamente muitos dos presentes teceram comentários sobre a peça.
muitos se experimentaram ali.

Rafaela

imagem emprestada daqui: http://pinkcreamcake.com/page/2

aliás, creio que um dos méritos da coleção é falar com o consumo.
a exemplo da roupa de Rafaela,
outras peças migraram da passarela para o restante da noite,
circulando, com naturalidade.

a coleção de Rafaela traz uma estética possível,
que deseja acontecer no presente, no real.

agora, ao descrever a cena, fico na dúvida:
as modelos saíram do desfile e foram ao coquetel
ou a sensação dessa presença é ilusória
e faz parte do efeito ótico premeditado?

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Sun, 20 Nov 2011 14:19:00 -0800 giovanna pontes | autodestruição http://pensandoemmoda.posterous.com/giovanna-pontes-autodestruicao http://pensandoemmoda.posterous.com/giovanna-pontes-autodestruicao

conexões aleatórias ou nem tanto

http://www.flickr.com/photos/matangra/6348223908
http://www.flickr.com/photos/matangra/6347475447

====
courtney love | nancy spungen | marla singer
[corpo para a roupa]

====
:: chuck palahniuk ::

“Nossa geração não viveu uma grande guerra ou uma grande depressão,
mas nós sim, nós vivemos uma grande guerra espiritual.
Uma grande revolução contra a cultura.
A grande depressão é a nossa vida.
Nossa depressão é espiritual".

"Somos os filhos do meio da história
e fomos ensinados pela televisão a acreditar que um dia seriamos milionários,
astros de cinema e do rock,
mas é mentira.
Só que acabamos de saber disso – disse Tyler.
Por isso, não brinque conosco".

PALAHNIUK, Chuck.
Clube da Luta.
São Paulo: Nova Alexandria, 2000, p. 160 e 179.
>> artigo: Clube da luta e a pós-modernidade,
de Maryon Rosalu Caobianco Bassetto ::
http://www.uel.br/eventos/sepech/sumarios/temas/clube_da_luta_e_a_pos_modernidade.pdf

====
:: "mate-me por favor" ::
resenha e trechos do livro ::
www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/956498-mate-me-por-favor-conta-como-o-punk-chegou-a-inglaterra.shtml

====
"Sua estética ... era uma estética catastrófica do caos,
do lixo, do rasgão, da colagem, da recuperação e do desvio:
uma estética da pura negação e da inversão sistemática de todos os valores.
Com eles, eram todas as hierarquias habituais, sem exceção, que estavam praticamente invertidas:
o feio tomava o lugar do belo, o mau gosto se elegia em bom gosto, se tornava o gosto deles;
o mais vil, como num alambique de alquimista, se transmutava no mais precioso;
todos os valores se invertiam e se anulavam, se igualando;
o caos era festejado como uma nova ordem;
o mais obscuro, o mais torpe, agia como a única luz tolerada..."

BOLLON, Patrice.
A moral da máscara: merveilleux, zazous, dândis, punks, etc.
Rio de Janeiro: Rocco, 1993, p.132

====
:: nirvana ::
grunge | deboche | destruição [de si, de regras, de limites, de objetos, de ordens]

>> conexão instantânea [embora talvez tolinha], pelo uso dos vestidos

>> ouvir essa música enquanto assiste ao desfile:
you know you're right ::

====
:: "o estranho na moda", de silvana holzmeiter ::
nota = http://www.facebook.com/note.php?note_id=268202526564739

"Na moda, o desprezível bem como o temível tornou-se linguagem do mainstream,
para quem o feio era convertido em belo.
Assim o corpo fashionable deixou de ser saudável.
Debilitado ou já sem vida,
tornou-se suporte para roupas igualmente transgressoras,
criadas pelos mais modernos e irreverentes designers
e pelas grifes mais luxuosas."

"Além da positividade encontrada na superficialidade do consumo,
tem-se vivido a frustração, o mal-estar e a pressão
de não encontrar-se inserido nessa bolhar de felicidade.
Há uma espécie de decepção generalizada,
começando por não se conseguir adquirir todos os bens desejados
indo até as limitações impostas pela violência urbana.
Falta tempo para o lazer ou para a família,
vive-se a ansiedade pela conquista e manutenção do peso ideal
após o regime ou uma lipoaspiração,
a insatisfação pelos medíocres serviços prestados pelo setor terciário,
a desilusão com os rumos profissionais,
o medo das descobertas científicas e tecnológicas,
as agruras advindas do estresse."

HOLZMEISTER, Silvana.
O estranho na moda: a imagem nos anos 1990.
São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2010, p.21-26

====
:: junky, do burroughs ::

"Talvez todo prazer seja alívio.
Aprendi o estoicismo celular que a droga ensina ao usuário.
Já vi um quarto cheio de viciados em abstinência,
silenciosos e imóveis, num sofrimento solitário.
Eles sabiam da falta de sentido em reclamar ou em reclamar ou em se mover.
Sabiam que, basicamente, ninguém pode ajudar ninguém.
Não existe chave nem segredo que alguém seja capaz de lhe dar."

BURROUGHS, William.
Junky.
Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, p.55.


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Tue, 15 Nov 2011 20:34:00 -0800 excessos | mayara bernardes http://pensandoemmoda.posterous.com/excessos-mayara-bernardes http://pensandoemmoda.posterous.com/excessos-mayara-bernardes

380214_1900161362165_178560196

a imagem dos croquis captura a atenção.
é até um risco mergulhar na primeira impressão
descuidando com adjetivos e deixando elogio sem substantivo.

impossível não ficar intrigado com a hipnose da síntese:
o excesso chega, através da subversão de seu próprio sentido.
o impacto resulta da força da concisão,
que se precisa num conteúdo denso,
exclamado na forma.

o uso pontual - e por isso mesmo instigante - das cores
[cores que se afirmam, que se anunciam sem titubear]
traz uma lembrança de Kubrick,
[cuja identidade visual está relacionada ao poder enunciativo de matizes autoritários].
nas silhuetas, é possível ver Bauhaus,
tanto pelo minimalismo quanto pela ideia de uma construção ligada à função.

do conjunto de figuras
- todas com mensagem própria, embora com intersecções -
destaco, por questão de empatia, o look com capuz,
que sugere novo desenho a um uso que andamos esquecidos de estranhar.

Mayara
imagem surrupiada daqui >> blog pink cream cake http://migre.me/6ai9v

muitas peças desfilam por aí, na rotina,
propondo o adendo do capuz.
muitas vezes ele repousa como volume nas costas,
nem mesmo veste a cabeça,
utilidade que parece óbvia.

na alteração de Mayara, o capuz sai da linha,
ganha outra estrutura, resignifica a informação:
deixa o corpo sofisticado,
na mesma medida em que sugere adequação ao trânsito do sujeito contemporâneo.
e, ainda, evoca a memória de uma figura religiosa
- uma das referências designadas na concepção da coleção.

====
"A tradição referente aos deuses, heróis, espíritos, demônios e feiticeiras encapuzados é muito difundida. (...) Para C. G. Jung, o capuz simboliza a esfera mais elevada, o mundo celeste, assim como o sino, a abóbada, o crânio."
CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain.
Dicionário de símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números.
Rio de Janeiro: José Olympio, 2003, p.185.
====

a privação de sentidos é elemento chave da comunicação pretendida pelas roupas.
no caso do look com capuz, os olhos são sutilmente encobertos.
essa conexão entre a estratégia da roupa com o conceito subjetivo
distancia-se de uma leitura fácil:
a obstrução da visão traduz alheamento,
ou seja, não significa um simples e dado "não-ver",
mas sim uma espécie de ensimesmamento,
um eu que se encasula em pensamentos
enquanto percorre multidões.

o tom cinza dialoga com cenário urbano,
tanto num sentido de reflexo da paisagem
quanto numa escolha prática:
a exposição às condições da cidade
[corpo em contato com vias e ambientes públicos]
se vê despreocupada de "contaminações" que poderiam comprometer o conforto do movimento.

o cinza absorve as intempéries,
diferente do que aconteceria, por exemplo, na opção pela cor branca.
vejo a figura como transeunte,
disposto a usar transporte público,
caminhar na avenida tumultuada,
possivelmente atravessar uma garoa
e experimentar diversos recursos da cidade.
uma presença, enfim, que se desloca sem receio de estar imprópria.
cinza é uma cor oportuna ao trajeto de muitas possibilidades
[o excesso chega, mais uma vez, de modo consistente e "subliminar"].

o branco limitaria essa fluidez disposta ao acaso.
no fim do dia [ou em poucas horas...], traria vestígios indesejados,
revelaria sujeiras, marcas de esbarrões nos obstáculos da rua.
e não seria efeito bem-vindo.

além disso, num plano simbólico, o cinza remete ao "cerebral",
uma aproximação que se justifica ao considerar que toda a coleção pretende discutir expressões de consciência.
o ser que veste é um ser que questiona.

====
"Pelo fato de a cor cinza ser associada com o cérebro [massa cinzenta]
e com as 'áreas cinzentas', que exercitam mais o intelecto
do que questões 'preto no branco'
- e também porque está ligado à idade/sabedoria [cabelo grisalho, 'barba branca'] -,
o cinza é preferido por artistas, intelectuais e filósofos.
Os estudos mostram que os artistas são mais criativos quando trabalham
num ambiente cinza ou com tempo encoberto, enevoado,
do que em cenários mais claros e estimulantes."

FISCHER-MIRKIN, Toby.
O código do vestir: os significados ocultos da roupa feminina.
Rio de Janeiro: Rocco, 2001, p. 49.

====

uma pena que o tempo do desfile seja breve demais para contar o processo que conduz ao resultado final.
afinal, as elaborações vestíveis de Mayara nascem de um olhar que decifra e costura vocabulário do presente.
moda, porque é eficiente em materializar um desejo-de-imagem latente.
a roupa esclarece alguma coisa para a qual buscamos linguagem,
torna verbo uma vontade de dizer, encarna um discurso "no ar".
as peças de Mayara nos emprestam, assim, neologismos,
plenos de sentido de epifania.

por outro lado, creio que há conotações artísticas bem pronunciadas.
a criação estimula interpretações reflexivas
[o que trouxe até aqui são nada mais que conjecturas,
livres justamente porque a roupa permite esse passeio].
a disposição dos tecidos, os caminhos da modelagem, a eleição das cores...
tudo convoca à imaginação do corpo que potencialmente habitaria a imagem.
arte, portanto, porque desafia a participação do entendimento,
sem amarrar verdades prontas.

a equação da forma mostra um olhar que foi se apurando,
um estudo que explora conceitos, afastando-se de traduções literais.
parte do acúmulo de informações com as quais nos bombardeia o tempo-agora
e percorre seu avesso.
mostra a face minimalista que filtra a enxurrada de saberes,
devolvendo, como produto dessa interação,
não um sujeito que tudo cataloga, que soma sem propósito,
mas sim uma personalidade,
um alguém que visita criticamente aquilo que lhe é oferecido,
ditando preferências e perspectivas.

os contornos
- fortes mas flexíveis, na medida em que não se esgotam num único estar -
afirmam existência do indivíduo.
mas trata-se do indivíduo pós-moderno [fragmentado e múltiplo]
que é um sendo vários,
requisitando uma presença líquida, plural,
capaz de adaptar-se a diferentes convites do dia,
transformando-se, como uma tela em que se espelham acontecimentos.
toda essa maleabilidade sem que escape a essência, o núcleo, a "matéria-prima"
do nome-próprio.

não me soa nulidade, mas algo como uma camuflagem,
que se funde ao entorno
avisando que é parte atuante,
proporcionando um equilíbrio do si com o exterior.
não causa conflito à percepção, não destoa,
embora consiga, nessa simbiose, uma manifestação inesperada,
com voz e postura distinta do mais-do-mesmo.

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Tue, 15 Nov 2011 15:59:00 -0800 expressionismo contemporâneo | anna lasmar http://pensandoemmoda.posterous.com/expressionismo-contemporaneo-anna-lasmar http://pensandoemmoda.posterous.com/expressionismo-contemporaneo-anna-lasmar

An Evening at The Cabinet of Dr Caligari"
 
"O expressionismo não vê; tem visões."
Lotte Eisner, no livro A Tela Demoníaca

Anna Lasmar, uma das seis finalistas do FAAP Moda 2011,
realizou coleção cujo gatilho foi o expressionismo.
para tanto, vasculhou referências dos anos 1920
- em especial o filme Gabinete do Doutor Caligari -
e percorreu pistas desta estética no ambiente contemporâneo,
o que garantiu uma tradução renovada para o tema.

sem pesar a mão
[um risco que o tema poderia suscitar, já que o expressionismo pede a materialização de excessos emocionais]
Anna consegue uma composição extremamente eficiente,
que bem dialoga com o recorte geral proposto pelo concurso:
os participantes deveriam desenvolver suas criações a partir da interpretação do video "We All Want to Be Young", produzido pela BOX1824.
Anna encontrou no filme - e trouxe para a passarela -
a alusão às identidades instáveis
além de parecer bastante atenta ao jovem como protagonista da discussão.

o "Expressionismo contemporâneo" [título da coleção]
transparece já nas figuras lânguidas dos croquis,
que parecem zumbis elegantes.
ou, oportunamente podemos dizer, remetem ao sonâmbulo Cesare, da história de Caligari.

quando o desenho ganha corpo,
evidenciam-se traços de atualização do conceito:
cabelos e maquiagem imprimem efeito dramático,
sugerindo mulheres que tanto poderiam representar no cinema expressionista
quanto poderiam ser encontradas na rua,
numa apropriação do estilo por parte de alguma "tribo urbana".

as roupas são bastante urbanas, com senso de realidade.
longe de oferecer versão figurino-carregado,
Anna demonstra como um conceito forte pode ser depurado
e, no esforço do filtro, faz emergir um viés sutil.

síntese, concisão: o foco da coleção está na mistura de texturas
[que divergem nos intuitos],
na disposição de materiais em ângulos quase caducos,
assemelhando-se à precisa confusão imagética que encontramos no Gabinete do Doutor Caligari.
não há um rumo: o olhar dança no delírio das formas,
sinalizando pluralidade.

====
Veja fotos do desfile no blog "Pink Cream Cake" ::
http://pinkcreamcake.com/2011/11/11/look-faap-moda-2011-anna-lasmar
====

preto, pele, cinza:
as cores obedecem a atmosfera desolada,
vibram no sombrio [que ressoou na música escolhida para o desfile]
versam o mundo interior.
tal como nas artes plásticas,
o expressionismo aqui ganha tintas comprometidas com o universo subjetivo,
contando prestigiadas [e vagas] sensações.

====
"A composição é a arte de dispor, de maneira estetizada,
os vários elementos disponíveis ao pintor para a expressão de seus sentimentos".
Henri Matisse, em Anotações de um pintor  
em: BEHR, Shulamith. Expressionismo. São Paulo: Cosac & Naify. 2001, p. 7.
====

ambiguidade, vazio, devastação, ruína:
Anna tem sucesso ao vivenciar o processo expressionista
exteriorizando perturbações e incertezas do pensamento.

o imaterial ganha corpo legítimo,
atingindo o espectador com um sopro sinistro.
na possibilidade tátil da superfície,
no jogo das distorções
[cada ponto de vista capta uma face diferente da roupa
- aqui atenção especial ao primeiro look, que revela abundância de impermanências],
Anna explora seu gosto e fala sua marca.

mais que tudo, destaco o agrado de deparar com uma produção de moda que,
tal como filme do Doutor Caligari,
ensaia histórias dentro da história,
provoca reviravoltas,
conversa com a psiquê
e desconcerta, no mudo,
deixando conclusões suspensas.

uma obra aberta, que seduz o alguém a vesti-la,
sem prometer solução linear.
que cada um descubra e exerça suas particulares turbulências.
impossível é ser uniforme.

====
Conexões:
O cinema expressionista alemão, por Michel Silva
 Expressionismo como modo de vida e moda, por Ana Claudia de Oliveira
 Dazed & Confused expressionista com Björk, no blog Mural na Moda
Ensaios Experimentais: O expressionismo alemão, no blog A moda é
Reinaldo Lourenço e Expressionismo alemão?, no blog Bainha de Fita Crepe

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Sun, 13 Nov 2011 19:50:57 -0800 dilacerados http://pensandoemmoda.posterous.com/dilacerados http://pensandoemmoda.posterous.com/dilacerados Faap Moda' 11 - Desfile de Giovanna Loureiro Pontes

a pele em chagas jovens
estigmas.
quase um contra-senso:
o corpo ainda tão imaculado,
toca excesso de possibilidades.

contudo, o turbilhão de seres por-vir
faz febre nas entranhas:
o sujeito, que duvida de si até no próprio nome,
arranca pedaços firmes de carne
na aflição de desfazer-se,
sabendo que nada vai definitivo embora.
utopias violentadas permanecem, fantasmas,
assombrando lembrança no olho que não dorme
refletindo nos braços que desapegam
corporificando humor niilista.

o desenganado grita pra si:
"ascende!
sai do fundo, pega voz!"
mas falha o ânimo,
vence a prostração, vencem os vícios de rotina desbotada.

ouve-se o silêncio,
suspirado junto ao cheiro de gargalhada embriagada.

desejos entorpecidos procuram sono no lixo:
são restos, rasgos, sobrevivências.
corrompido, o inteiro se reinventa na mutilação.
a falta assombra,
embora caminhe indiferente - não faz questão de platéia.
vulnerabilidade, precariedade: não pela ação do outro,
não destinado ao outro,
mas pelo sentimento desregrado
de um eu liquidificado.

a ironia celebrada no farrapo luxuoso.
perdeu a lua,
perdeu o caminho de casa,
tombou patética na via pública:
ficaram arranhões,
hematomas de coesão estilhaçada.
ninguém viu.
ninguém vê.
todos vivem - a mesma cena, diferentes cenários.
apenas variações do tema:
sempre a alma-algoz querendo transpassar o corpo,
atuar na pele, fazer catarse no lado de fora.
mudam efeitos, estilos de dizer, meios.
mas a queda é experiência coletiva.

"me deixa ser fratura exposta!",
implora a angústia sem saber para onde.
confusa, balbucia sensações sem idioma
e mostra o âmago,
pálido,
sujo,
diluído.
carne-viva.

impera o insignificado.
como quem, num instante de lucidez cortante,
vê que tudo tanto-faz.

é bonito e tão caro
como aquela mastigando jóias,
numa gula de pedras que se misturam aos dentes,
ao sangue, à saliva, ao choro de tempestade.

nauseante como um suicídio cotidiano,
desses que chegam pelo jornal da manhã
invadem a noite morna
enquanto alguém passa e vê a hora.

urgentes,
apáticos,
inseguros.
mas fingimos, para ter conforto da norma.
onde habita o sentido?
onde o refúgio?

e quando a dor quer mais?
quando ela berra o tempo de gestação
e nasce rasgando a carne
brotando ferida que borbulha
e tem sina de flor.

não é autoflagelo esse corte,
esse buraco que pulsa cavado no peito.
é vontade maior
de um tempo que atravessa poros
desmemoriado, perdido, andarilho.
solitário.

a ausência faz do corpo estandarte
e tira da vida - tão nova, tão fresca, tão macia -
a face que sorri dis-traída.
agora, no lugar, sem aviso, sem dó,
fica ilustre a cicatriz do nascimento bruto
anunciando marca de quem fitou o nada.

não sai ileso quem deseja se passar a limpo
e de repente se descobre palimpsesto:
todas as letras,
indeléveis,
ressoando abismo,
denunciando um saber que deveria ser proibido.
nada se apaga completamente:
todas as letras,
todas insuficientes.

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Thu, 10 Nov 2011 21:02:02 -0800 memórias tecidas http://pensandoemmoda.posterous.com/memorias-tecidas http://pensandoemmoda.posterous.com/memorias-tecidas
Vestidos1

o livro "Vestidos para lembrar e uma história para contar",
com texto de Lais Fontenelle Pereira e ilustrações de Sara Goldchmit,
surpreendeu a própria diretora da Estação das Letras e Cores [editora que publicou a obra],
dado o interesse que despertou no público leitor.

o êxito nas vendas traz, em seu avesso, a pergunta formigante:
por que algo vende?
o que faz um produto, dentre uma série, saltar da prateleira para as mãos do consumidor?

"Vestidos para lembrar e uma história para contar" narra memória afetiva,
que envolve roupas plenas de narrativas, partilhadas em família.
os desenhos de Sara dão contornos às recordações infantis de Lais, a autora.
as cores, que ganham retalhos de tecidos e aquarela para se expressar,
dizem uma calma que brinca no balanço logo que brota primavera.
o livro soa como uma janela que se abre para uma paisagem de suspiros:
mãos entrelaçadas fazem roda pra cantiga
que conta, simples, um passado acolhedor.

varal de roupas,
balões de festa,
passarinhos distraídos,
castelo de areia.
nostalgia.
aquela da presença-ausência,
a volta impossível para uma casa evaporada,
o empréstimo da sensação de um eu que já não somos - apesar de perfeitamente ser.

a nostalgia,
no que desperta de re/encontro,
sem dúvida sussurra àquele que chega perto do livro.
não só pelo tema, não apenas pelo que o título evoca,
mas também pela estética,
que obedece ao desejo de voz da saudade.

imagino - talvez por ranço de imaginação minha -
que "Vestidos para lembrar" é abraçado principalmente por compradoras-no-feminino.
mulheres que esbarram na imagem da obra
e tomam-na emprestada, vivendo na fábula sua própria versão.

mulheres que sorriem, cúmplices, para Lais e Sara,
repercutindo o encanto em contações de histórias:
sejam estas privadas, na beira da cama de uma nova criança,
ou públicas, como as que vem acontecendo em escolas e outros espaços que promovem a partilha do texto.

a peça de roupa, ainda que guardada apenas na memória,
é fragmento de um tempo,
é testemunho de um eu existido.
uma coisa simples, trivial e, por isso mesmo, tão significativa.
moramos nos detalhes.

somos tão desesperadoramente efêmeros:
saber que o cotidiano, em suas minúcias desavisadas,
pode se transformar num pomar de sentidos...
isso afaga a inquietação.

basta olhar sem pressa, inventando história pra botão,
que nascem das coisas [sim, dos objetos, esses falsos-mudos]
umas tantas músicas, poemas, risadas, sentimentos, inventações.
ver no mínimo apura o olhar.

em "Vestidos para lembrar e uma história para contar",
Lais destaca o valor de um vestido amarelo,
pelo qual aguardou ansiosamente a vez de usar:
cabia bem no aniversário de 6 anos,
querendo ser exatamente como acontecera com a irmã mais velha.

o vestido era mais que vestido:
era pele super-poderosa,
dessas que nos tornam capazes de proezas [até então] intangíveis,
como andar de bicicleta sem rodinhas de apoio
ou fazer bolas de chiclete.

Lais associava o vestido aos acontecimentos,
esperando que, ao fazê-lo pele de si,
as mágicas acontecidas com outras crianças da família nela se repetissem.
com a pele certa, se abrem portinhas do mundo.

hoje, no livro, somos nós quem vestimos
- sempre no empréstimo, sempre com estímulo para passar adiante -
o vestido amarelo que [des]encaminha ao fantástico.

=====
Mais sobre o livro:
Vestidos para lembrar e uma história para contar
Autora: Lais Fontenelle Pereira
Ilustradora: Sara Goldchmit
Editora Estação das Letras e Cores

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Thu, 27 Oct 2011 17:14:00 -0700 Lançamento | Livros de Moda, Corpo e Design http://pensandoemmoda.posterous.com/lancamento-livros-de-moda-corpo-e-design http://pensandoemmoda.posterous.com/lancamento-livros-de-moda-corpo-e-design

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Thu, 28 Jul 2011 07:56:25 -0700 Frappé - moda de infância http://pensandoemmoda.posterous.com/frappe-moda-de-infancia http://pensandoemmoda.posterous.com/frappe-moda-de-infancia Conheci a Andrea Mello e soube de sua moda de infância,
materializada na marca Frappé.

A vontade de conhecer melhor a moda-de-ser da Frappé
me levou a propor uma entrevista, que a Andrea topou
e queridamente respondeu.

Abaixo, segue o resultado dessa conversa
[que, espero, possa eu repetir com outras marcas
que estejam animadas a assuntar ;)
Fica o cutucão, pra vc que está lendo isso e faz suas artes e invencionices.
Me email-a (pensandoemmoda@gmail.com) pra gente trocar umas letras!
]

1. 
Frappé: o que é? Quem é?
A Frappé é uma marca de acessórios divertidos.
Criamos e produzimos peças para serem usadas no dia-a-dia
(como mochilas, bolsas, chapéus, fivelas...),
mas sempre com um toque descontraído e lúdico,
que agrega uma identidade de design muito forte aos produtos.
Nosso objetivo é tornar o dia-a-dia das crianças mais divertido
e estimular a imaginação.
Afinal de contas existe época mais mágica e criativa do que a infância?

A Frappé é feita por várias mãos e cabeças pensantes.
Mas apesar de muitas pessoas contribuírem
durante o processo de criação e produção das peças,
existem algumas características comuns que funcionam praticamente como
nosso critério de seleção de funcionários, parceiros e fornecedores:
- bom-humor acima de tudo, pois trabalhar precisa ser algo divertido;
- busca pela excelência, ou seja, aqui todo mundo dá pitaco em tudo
e estamos sempre procurando formas de melhorar ainda mais nossos produtos e processos internos
- criatividade, sempre! pois ninguém resolve um problema ou sai do lugar fazendo tudo igual;
- respeito e profissionalismo.

2.  
Quem a Frappé imagina como seu consumidor?

Em termos mercadológicos, nossos produtos são direcionados a crianças de 0 a 6.
Mas eu gosto muito mais de trabalhar com uma definição emocional do consumidor,
pois embora as peças sejam direcionadas para crianças, eu mesma uso váaaaarias
(e passei dos 6 anos há décadas).
Então, na minha visão, todo mundo que gosta de sonhar e usar a imaginação para se divertir,
quem carrega um pouco de infância dentro de si,
vai se identificar com a Frappé.
São pessoas autorais, que possuem um estilo próprio,
valorizam suas ideias e ideais,
vêem a vida com leveza e amam objetos/produtos inusitados.

3.
Que personagem poderia usar criações da Frappé?

A Olive (de Little Miss Sunshine), a Amelie (do Fabuloso Destino)...
Se a Dory (de Procurando Nemo) fosse uma pessoa também usaria.

4.
Que livro e/ou filme inspira a Frappé?

Alguns filmes: Big Fish, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, Wall-E.
E outros livros: Memórias Inventadas [Manoel de Barros], Princesas Esquecidas ou Desconhecidas [Philippe Lechermeier] e Frases do Tomé aos Três Anos [Arnaldo Antunes].

5.
Música que expressa um tantinho do humor da Frappé...

A trilha perfeita para um desfile: Pato Fu tocando Música de Brinquedo.

6.
Frase ou palavras que sintetizam "valores" que a Frappé deseja comunicar.

Diversão, alegria e imaginação.

Para quem quiser saber mais:
- site = http://www.frappe.com.br (no site tem link para lojinha virtual)
- facebook = http://www.facebook.com/pages/FRAPPÉ/104793772906280
- twitter: @frappebr
- email: frappe@frappe.com.br
- quem andou falando sobre a Frappé: http://frappebr.blogspot.com/p/ja-foi-noticia.html

Brigadão Andrea!!
pelo teu tempo, pelas palavras em tom de prosa,
pela generosidade de tua fala.
Sou suspeita, mas achei que ficou coisa mais-fofa.
Espero que goste de ver a Frappé por aqui
;)
Sorrisão pra tu!
Lu

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Thu, 21 Jul 2011 14:38:08 -0700 os direitos inalienáveis do leitor http://pensandoemmoda.posterous.com/os-direitos-inalienaveis-do-leitor http://pensandoemmoda.posterous.com/os-direitos-inalienaveis-do-leitor 1. direito de não ler.
2. direito de saltar páginas.
3. direito de não acabar um livro.
4. direito de reler.
5. direito de ler não importa o quê.
6. direito de amar os “heróis” dos romances.
7. direito de ler não importa onde.
8. direito de saltar de livro em livro.
9. direito de ler em voz alta.
10. direito de não falar do que se leu. 

Daniel Pennac em "Como um Romance",
Porto: Ed. ASA, 1992, p. 155.

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Tue, 05 Jul 2011 19:08:00 -0700 quem escreve sobre moda no Brasil? http://pensandoemmoda.posterous.com/quem-escreve-sobre-moda-no-brasil http://pensandoemmoda.posterous.com/quem-escreve-sobre-moda-no-brasil

Juliana Schmitt - especialista em História da Arte [UEL]; mestre em Moda, Cultura e Arte [Senac] e doutoranda em História Social [USP] - é autora do livro "Mortes Vitorianas" [Editora Alameda].

Assim, só por nome e currículo, nem sempre a gente consegue adivinhar a pessoa do texto.
E fica pensando "será que esse livro conversa comigo?",
"será sobre a moda que me interessa?".

Para aproximar leitores e autores, acho que vale uma apresentação mais informal,
que conte perspectivas por parte de quem escreve,
revelem um pouco da personalidade do olhar do curioso de moda.

Nas respostas abaixo, fica a marca dessa abordagem.
Para saber mais sobre o livro, em si, este post não é o melhor lugar.
Mas espero que, a partir do dito cujo, leitores/interlocutores queiram conhecer um tanto melhor
os relatos da Juliana Schmitt - autora de Moda.

1.
Quem tu imagina do outro lado do teu texto?
Essa pergunta é difícil pois eu, sinceramente, nunca achei que
o texto que escrevi fosse virar livro
[o livro da Juliana é resultado de sua pesquisa do mestrado]
.
Confesso que imaginei os professores da banca como leitores! 

Quando escrevi o Mortes Vitorianas, eu me propus um desafio.
As monografias que havia escrito até então (graduação e especialização)
tinham, na minha opinião, um caráter muito acadêmico.
E eu queria muito me livrar desse estilo sisudo da academia,
com mil citações, notas de rodapé, jargões...
Então busquei, ao máximo, um texto mais leve,
que tivesse um caráter mais de literatura do que de dissertação.

Ainda que fosse uma pesquisa de mestrado,
eu queria que a leitura fosse prazeirosa
- até pelo tema abordado (a morte, o luto), que já era meio "pesado" por si só. 
Tanto que, no fim das contas, o texto ganhou uma essência meio ensaística,
que me agradou muito.
Gosto de pensar nele justamente assim, como um ensaio.
A minha grande sorte foi ter tido uma orientadora [Eliane Robert Moraes]
que me deu completa abertura para isso.

Assim, quando eu penso em um possível leitor para o Mortes Vitorianas,
acho que imagino alguém não muito ortodoxo,
aberto para um texto que mistura história (cultural, social, das mentalidades)
com arte, literatura, filosofia e, claro, moda.
Um leitor que goste das pontes entre essas áreas
- o livro tem muito esta característica, de fazer pontes.  

2.
Como a capa conversa com o conteúdo?
Adoro a capa do Mortes Vitorianas.
Acho que dialoga completamente com o conteúdo. 
E olha que foi trabalho da editora!
- o que mostra que tivemos uma grande sintonia.

Outra coisa que ficou incrível e que também foi sugestão deles
foi o uso de duas cores no corpo do livro
- páginas pretas no início de cada capítulo.
Ora, o MV se desenvolve justamente na articulação entre esses "duplos":
vida-morte, escuro-claro, preto-branco, moda-luto, visível-oculto, instintivo-cultural, vivo-cadáver...
As cores das páginas combinaram lindamente com esses binômios.

E o mesmo ocorre com essa Mulher de luvas na capa
(estou olhando para ela, agora),
como um espelho da tela de Giron.
Seu elegante traje em negro é usado por luto?
Sua expressão é igualmente ambígua...
tem o olhar perdido ou um ar de coquetterie?
Sua postura revela a austeridade vitoriana ou a opulência da Belle Époque?

Gosto também porque os arabescos fazem um contraponto com as fontes do título.
Enfim, além disso tudo, é um belo retrato,
acho que chama a atenção para o livro.

3.
Rascunha teu conceito de moda.
Essa é daquelas perguntas capciosas das quais todo mundo prefere fugir.
Quem quer responder uma coisa dessa? Eu é que não!
Seria o mesmo que responder "o que é história"? "o que é filosofia"? "o que é arte"? 

Então, pra sair de vez pela tangente,
vou me apropriar da resposta de um aluno meu
de apenas 15 anos, que uma vez me escreveu:
"moda pra mim é a maneira de pensar - só que do lado de fora.
Digamos que moda, pra mim, é o cérebro, só que por fora!"

4.
Teu apetite-leitor, o que procura?
Eu tenho especial predileção por sites de moda que tenham texto.
Não que todos me agradem - e também não significa que não adore imagens, fotos...
Mas sites só com imagens (que são a maioria) me deixam um pouco preocupada.
Me parece mais falta do que dizer do que uma escolha consciente pelo laconismo.  

Fora isso, leio de tudo um pouco: jornal, críticas, crônicas, tirinhas.
Aliás, recomendo esse tumblr, me identifico muito :P http://professorinha.tumblr.com/

............

Vc pode fazer um curso de "História da Moda", com conteúdo elaborado pela Juliana Schmitt. O curso é online, portanto, sem dificuldades geográficas.
Mais informações, aqui: http://www.abra.com.br/educacaoadistancia/cursos/hist_moda

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http://files.posterous.com/user_profile_pics/416066/circulos_normal.png http://posterous.com/users/5eCjAjWBJI8p Pensando em Moda pensandoemmoda Pensando em Moda
Fri, 17 Jun 2011 12:08:12 -0700 #quemjá desejou ir-se embora pra pasárgada? http://pensandoemmoda.posterous.com/quemja-desejou-ir-se-embora-pra-pasargada http://pensandoemmoda.posterous.com/quemja-desejou-ir-se-embora-pra-pasargada Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira",
Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

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Thu, 16 Jun 2011 02:53:01 -0700 jeitos de dizer o mundo http://pensandoemmoda.posterous.com/jeitos-de-dizer-o-mundo http://pensandoemmoda.posterous.com/jeitos-de-dizer-o-mundo às vezes a gente precisa usar lápis-de-cor.
só com cinza não dá.
cinza é neutro.
"só transgredir também é obedecer".

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http://files.posterous.com/user_profile_pics/416066/circulos_normal.png http://posterous.com/users/5eCjAjWBJI8p Pensando em Moda pensandoemmoda Pensando em Moda
Sat, 28 May 2011 20:39:18 -0700 superfícies http://pensandoemmoda.posterous.com/superficies-37894 http://pensandoemmoda.posterous.com/superficies-37894 palavra é roupa pro pensamento.
no encadeamento das letras
as idéias ganham corpo emprestado.

nem sempre [ou quase nunca] chega ao papel do jeito que perambula na mente.
sabe como é, vir a público é uma dificuldade.
encabula, pede máscara pra mostrar.
e mostra parte, porque pra além da letra, se quer a interpretação.

o que a-parece é.
mas de onde veio o que chega à imagem?
é possível trazer todo o jogo,
toda a substância que mora na palavra desenhada?

entender-se com limites das linguagens é um embaraço.
signos pedem preenchimentos
e nem sempre a casca combina tão certinho-assim com a vontade de dizer.

limites: materiais, pode ser.
"ser" escreve dessa forma, não muda.
é fórmula. é limite da palavra.
é a margem.
mas, pra além do traço, a palavra sonha.
o limite se perde e nessa possibilidade infinita de reinvento
o "ser" se expande, como um universo.
aí o limite assume sinônimo de o-que-couber.
e o que não cabe em si?

o que cabe no ser?
o que define o "ser"?
é a costura.
é o contexto.
é quem é, é quem vê.
é a capacidade de ler, alheia à palavra em si
que permanece intocada, bem virgem, esperando definição imprecisa
porque sempre cabe um outro ser pro "ser".

teu ser, definitivamente, não é gêmeo do meu.
nem no dito, nem nos arranjos.
cada um com o seu.
embora o compartilhemos no vocabulário
e o escrevamos com as mesmas letras.

palavra não vem só:
traz vírgulas, pontos, lembrança, imaginações.
palavra bonita vem da construção:
entre vogais e consoantes, soma percepções.
não se repete: se renasce.
palavras só funcionam quando povoadas.
quando em companhia.
o verbo cria.

---
escrever e vestir: infinitivos vizinhos?
vem do estilo, do experimento, do encontro da voz-própria.
desejos de expressão com caligrafia singular.
e, sim, às vezes a gente copia um traço,
reproduz um jeito que gosta.
apropria-se, na devora de fragmentos de-fora.

pra ambos fazeres, importa conhecer autores.
não fazer a leitura apressada,
que desentende os sentidos.
mas sim, com atenção de detetive,
assimilar, transformar, identificar umas semelhanças.
leitura de quem quer decifrar, entender resposta de esfinge.

e se a escrita é um eterno intento de encontro do si-mesmo,
busca por reflexo do que vai dentro,
do que não emerge por si-só
[mas não descansa de tentar se conhecer]
o vestir, em que se afasta desta utopia?

palavras e roupas podem revelar
palavras e roupas servem pra disfarçar
palavras e roupas contam intenções.
ah, roupas mentem?
ora, e palavras tb não?

tem a palavra uniforme, a palavra da moda,
a palavra cara, a palavra vazia,
a palavra elegante, a palavra equivocada,
a palavra reproduzida, a palavra inventada.

palavras e roupas servem.
ou não.
palavras e roupas comunicam
ou se trumbicam.

---
palavras e roupas nascem pra saciar o eu,
que quer espelho,
quer ver no fora o eu-além, o eu-outro, eu-duplo.

tudo o que aparece é superficial.
profundo, só o mergulho dos olhos.

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Fri, 27 May 2011 00:42:19 -0700 criação http://pensandoemmoda.posterous.com/criacao http://pensandoemmoda.posterous.com/criacao "Uma vez alguém perguntou para Einstein
se ele tinha um caderno onde anotava suas idéias.
Resposta 'Idéias, meu filho, eu tenho bem poucas'.
Idéias são raras,
meia dúzia de boas idéias dão e sobram para uma vida ou duas.
Einstein era um gênio que sabia que o mais valioso poder da mente
é o de relacionar idéias e não propriamente criá-las.
O número de idéias já existentes é mais do que suficiente
para ocupar o cérebro de qualquer um.
Enquanto idéias não surgem, o melhor a fazer
é tentar conhecer e misturar idéias já nascidas,
de preferência uma mistura de forma e proporção incomum
ou, melhor ainda, inédita,
a ponto desta mistura poder até ser chamada de nova,
embora provavelmente os gregos já tenham tido uma idéia igualzinha,
e antes deles os chineses e os hindus.
.....
Para conhecer e misturar idéias primeiro é preciso encontrá-las.
A vida real, os livros, a música, as artes plásticas e o cinema são,
nesta ordem, os cinco melhores lugares para encontrar idéias.
Idéias nascem no terreno pantanoso que separa certezas e dúvidas.
Certezas e dúvidas são bem mais frequentes e não menos valiosas que as idéias,
a ciência e a arte vivem de sua luta constante.
Na ciência as idéias vêm da natureza, obedecem a leis,
valem até que surja uma idéia melhor e então viram refugo.
Na arte, que é tudo que a natureza não é,
criar e transformar são sinônimos.
A arte não é substitutiva, não se desinventa nem se perde.
(...) Há algo de todos em todos, desde sempre
e, espero, para sempre."

FURTADO, Jorge. Onze idéias e meia.
In: PECHANSKY, Clara (org.). A face escondida da criação.
Porto Alegre: Movimento, 2005. p. 47

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Thu, 26 May 2011 14:41:04 -0700 Lu, a Esteta http://pensandoemmoda.posterous.com/lu-a-esteta http://pensandoemmoda.posterous.com/lu-a-esteta
no sábado, dia 21/05, minha pseudo-xará Luciana Collin
inaugurou seu espaço de moda:
"My Closet" [ela o nomeou].

acho que quem estuda, simpatiza, aprecia olhar para a moda,
precisa adentrar "exposições de produtos".
lugares diversos, com olho guloso - curioso pra decifrar recados.
fazer disso um hábito e descobrir possibilidades de aprender no cotidiano.

no caso da loja da Lu, a exposição dos produtos se faz
mediada por gentilezas:
por onde quer que o olhar passeie, encontra agrados.

acontece no quadro com ilustrações, de exposição da Chanel,
que hipnotiza qdo a gente se aproxima do fundo da loja.
tb no interior do provador, em quadrinhos que eu descreveria como...
"portadores do singelo".
de repente, a atenção se perde num ponto qualquer da parede
e pulam outras miudezas, que emprestam graça - bem de sábado.
na televisão grandona, desfiles quietinhos passam informações.

até os cabides tem uniforme para vestir!
o tecido conversa com toda a loja, que usa tons lilases e discretos.
nada se impõe, nada grita:
vamos descobrindo "coincidências" aos poucos,
em distrações.

dentre as delicadezas da ocasião de inauguração,
recebemos sachês de um perfume que continua a contar o estilo do Closet.
[alguém me disse o nome do perfume, mas não sei lembrar...].
tb foram oferecidos uns pecados em forma de bem-casados,
que ganharam embalagem de dar dó de abrir.

Lu disse umas tantas vezes o quanto apreciava cada roupa, cada item que expunha ali.
e "My Closet" é mesmo o closet da Lu:
são suas interpretações dos estilos-de-ser.
roupas e acessórios parecem vir impregnados de imaginação de usos.

é sempre interessante ver eleições de alguém com NOTÓRIO bom-gosto.
mas, além da sensibilidade [que soa inata] para objetos bem-resolvidos,
Lu é pessoa com saberes acadêmicos:
e quem não fica com vontade de conhecer a loja de uma [literalmente]
mestra em moda??

enfim, a Lu tem percepção estética - que sabe alimentar, ampliar
e trazer para o contexto.
a loja é mais uma extensão desse apuro.

o lugar chama uma visita.
vá com tempinho, pra poder encontrar as surpresas.

Onde:
Rua Barão do Triunfo, 386
Brooklin
São Paulo-SP
http://myclosetmoda.com

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Sun, 22 May 2011 12:27:00 -0700 Dica de Leitura :: Novas Fronteiras do Design Gráfico http://pensandoemmoda.posterous.com/dica-de-leitura-novas-fronteiras-do-design-gr http://pensandoemmoda.posterous.com/dica-de-leitura-novas-fronteiras-do-design-gr
Título: Novas fronteiras do design gráfico
Organização: Gisela Belluzzo e María Ledesma
Editora: Estação das Letras e Cores

Nota sobre o livro:

Em outubro de 2009, na UBA (Universidade de Buenos Aires),
Gisela Belluzzo (Universidade Anhembi Morumbi), María Ledesma e Mónica Pujol (ambas da UBA) organizaram um encontro para discutir as "Novas Fronteiras do Design Gráfico".

O Encontro acontecia no momento em que pesquisadora Gisela Belluzzo
encerrava seu estágio de pós-doutorado na Argentina,
para o qual contou com a supervisão de María Ledesma.

O processo do estágio havia revelado semelhanças e diferenças nas pesquisas em design gráfico de Brasil e Argentina.

Dentre as semelhanças percebidas, pode-se dizer que ambos trabalham com imagens, tipografias, processos...
Questões do nosso tempo, tais como interdisciplinaridade, novos sistemas digitais, novos suportes e processos de criação também estão presentes nas discussões dos dois países.

Quanto às diferenças, destaca-se a marca politizada dos argentinos
que, diante de tantas crises políticas e econômicas sucessivas do país,
colocam-se atentos e alertas tanto em relação às manifestações oficiais quanto às espontâneas, tratando-as com o mesmo grau de importância.
A sensação que temos é que Buenos Aires está toda unida:
parece que todos estão em sintonia, se compreendem, falam a mesma língua.

Bem diferente é a situação do Brasil, ou melhor dizendo, da cidade de São Paulo
– uma metrópole que acolhe estudantes e designers de todo o país (e até de fora do Brasil).
Nossa tradição de acolhimento nos faz sempre olhar para os lados e para fora:
para as tendências mundiais, a última voga, o último software.
Nossa política: estarmos atentos ao que se passa no mundo todo.
Nossas escolas: diversas, cada uma na sua linha.

O Encontro de 2009 trouxe o debate sobre tais diferenças e semelhanças.
As falas pronunciadas nesse Encontro foram transformadas em texto, e somam parte dos artigos do presente livro.
Complementando a discussão, designers e professores brasileiros colaboraram com suas pesquisas e inquietações,
resultando, no total, em quatorze textos.

As contribuições servirão, sem nenhuma dúvida, de parâmetro para nos conhecermos melhor: brasileiros e argentinos.
Servirão também para mostrar as inquietações, pesquisas e idéias de pessoas que têm o design como ofício, seja na âmbito da pesquisa, do ensino e da prática, ou tudo a mesmo tempo.

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Para saber mais:
Sumário do livro
Informações sobre os autores e colaboradores
Link para compra online [PagSeguro]


Convite para Lançamento [dia 24/05 - terça-feira]

Convite

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Sun, 22 May 2011 12:22:00 -0700 Camila do Rio http://pensandoemmoda.posterous.com/camila-do-rio http://pensandoemmoda.posterous.com/camila-do-rio
tive a sorte de um diálogo com a Camila do Rio.
de repente, vejo fotos de algo que até então só fiz imaginar.
soa um agrado para o dia.

a Camila, carioca itinerante, contou [na tal ocasião de conversa]
que seu olhar procura pedacinhos, vestígios, lembranças do Rio.
observando com tal disposição, encontra espécies de serelepes-sorrisos,
piscadelas risonhas que dão ar-da-graça
nas ruas e vidas de culturas por-aí.

Camila leva o Rio para passear.
e deixa que ele aponte seus gostos, suas simpatias.

Camila procura espelhos para que seu Rio possa se re-conhecer.
e que Rio a habita?
o que espelham as águas de Camila?

o Rio de Camila - conforme entendi -
se quer bossa do bem-estar,
se quer sonoridade que assovia nos tecidos.

conhecer o Rio de Camila,
através de sua "curadoria" de roupas
[bem como a casa que elaborou pra essas peças]
é ter oportunidade de ler a representação de uma interpretação,
ver a tradução de uma intuição [desculpe as falsas-rimas],
conhecer uma versão [com nome-próprio] do que é o ser-carioca.
anúncios sutis, porque identidade não precisa gritar.
traços, pra evocar, em vez de declarar.
pormenores, para intrigar - despertar o Rio alheio.

[acho que são nesses exercícios da singularidade que a moda se mostra
uma chegada linguagem da arte].

para ver melhor...

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http://files.posterous.com/user_profile_pics/416066/circulos_normal.png http://posterous.com/users/5eCjAjWBJI8p Pensando em Moda pensandoemmoda Pensando em Moda
Wed, 18 May 2011 13:24:29 -0700 escrevente de moda: esse chamado é pra você http://pensandoemmoda.posterous.com/escrevente-de-moda-esse-chamado-e-pra-voce http://pensandoemmoda.posterous.com/escrevente-de-moda-esse-chamado-e-pra-voce Iara - Revista de Moda, Arte e Cultura [vinculada ao grupo de Pesquisa em Consumo e Comportamento do Senac]
objetiva divulgar textos que instiguem a discussão - embasada - sobre moda.

Além de artigos acadêmicos, resenhas de livros e resumos de dissertações/teses,
a Iara publica resenhas de desfiles e exposições.
Você, que "se expôs" à moda, viu criações e escreveu (ou está cheio de idéias para trazer ao papel)
sobre tais situações, envie seu texto para ser avaliado pela Iara!

A Revista analisa todo material que recebe.
Isso significa que seus escritos receberão uma leitura atenciosa
por parte de profissionais comprometidos com a busca de qualidade nas reflexões sobre moda.
É uma oportunidade de oferecer às suas letras e interpretações uma avaliação crítica
- no melhor sentido da palavra.

Interessou?
Conheça melhor a Iara ➙ http://www.iararevista.sp.senac.br
E para esclarecer dúvidas, escreva para ➙ iararevista@sp.senac.br

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http://files.posterous.com/user_profile_pics/416066/circulos_normal.png http://posterous.com/users/5eCjAjWBJI8p Pensando em Moda pensandoemmoda Pensando em Moda
Tue, 03 May 2011 12:56:00 -0700 idéias com acento http://pensandoemmoda.posterous.com/ideias-com-acento http://pensandoemmoda.posterous.com/ideias-com-acento
o “idéias com acento” tem porquê na aproximação.
apareceu assim, de encontros.
plurais, contínuos, com tempo próprio.

sempre teve um caráter muito pessoal:
conversas no msn, trocas de emails, cutucações no fórum,
conexões no facebook... e por aí vai.

caráter pessoal no sentido detrato honesto,
cada um falando de seu lugar,
se expondo com a intimidade rara,
daquelas que doidamente brotam entre des/conhecidos.

alminhas amigas, que trocam palavras recheadas de eus.

aí, a idéia de novas expansões – quem sabe, novas aproximações.
novos encontros.
o grande deleite internético é deparar com espelhos.
ou interlocutores ideais-reais,
que existem, dubiamente, virtualmente.

nem todas as portas são pra você. nem todas as portas são pra mim.
cada um que se depare com seu próprio “só para loucos”.
mas, se estivermos no mesmo jardim [de caminhos q se bifurcam...]
esse convite é pra ti.

vem e deixa tua interrogação.
puxa uma almofada bem abraçante pra sentar embaixo da árvore.
e prosear.

"nós que aqui estamos
por vós esperamos"

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